Tipo Café Requentado

A gente até tenta, passa por cima do orgulho como quem atropela uma pedrinha no meio do caminho. Meio sem jeito. Pode parecer loucura, m...


A gente até tenta, passa por cima do orgulho como quem atropela uma pedrinha no meio do caminho. Meio sem jeito. Pode parecer loucura, mas quem é que de tanto amar nunca se sentiu assim? As vezes o signo, as vezes os tombos que a vida nos dá. Sempre temos uma explicação para tantos amores requentados. Frios. Sem aquele ador que a gente lê nos sonetos de Camões. Um não querer mais que bem querer, que vem ocupar um grande espaço e que muitas vezes fica espremido por um outro enorme sentimento: o orgulho.

Ah, esse é grande. Difícil de ignorar. E em diversas vezes na vida ele acaba sendo maior do que deveria. Maior do que aquilo que é necessário. Ele derruba e constrói. Derruba amores e constrói muros. Vai apertando o coração e quando a gente vê não tem espaço pra mais nada. Não cabe mais nenhum sentimento puro, altruísta. Não cabe amor.

No começo até parece bom, sinal de crescimento, diriam alguns, mas no final das contas tudo permanece o mesmo. E dai dois ou três meses a ficha cai e a gente percebe que não valeu lá tanto a pena assim, reprimir tanto amor. Mas é que tá tão na moda não amar, ignorar, rir do sentimento alheio. Ser fria. Um iceberg emocional. Desde quando que ser tão fechado, virou algo bom?

Amar é tão lindo. Doar-se ao outro para receber mais amor, mas sem esperar nada em troca. Não dá pra pedir aos céus amor, se você não está preparado pra transbordar, transcender. Ser raso não está nos pré-requisitos. As vezes machuca, perfura e corroí, porque tudo que é bom na vida dói de vez em quando. Mas aquilo que machuca também cura. E, como cura.

Talvez esse texto não te faça sentido. Não te faça sentir. Mas esse monte de palavras conectadas por pensamentos desconexos, são para dizer que prefiro ser ardor, calor e sabor de um café novo do que permanecer esse eterno café requentado. 

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